Vergonha
Se eu te chamo para vir sorrateiro à noite, e deslizar sobre a minha janela, tu vens com ânsia e desejo por quem sou.
Mas quando nossos olhares se encontram em meio a nossos amigos, ali sou uma mera desconhecida, incapaz de dedilhar por toda nota de arrepio de seu corpo.
Você fica inquieto, dizendo que o problema são os outros. Nunca você. Mas sei que sou eu.
O problema sou eu por não me encaixar e não ser o suficiente para o que você sempre procurou. Então tu nem faz questão de olhar para o interior, já o que te satisfaz em meio ao etílico são palavras sem pudor e mordidas suaves daquilo que pouco posso oferecer.
Eu nunca vou ser o suficiente para você pegar na minha mão e estar comigo. Nunca vou ser o suficiente pra completar essa imagem idealizada que tens na cabeça.
Eu nunca vou ser o suficiente pra você; mas você é mais do que pra mim, transborda, aquece e completa.
E eu vou continuar sem a parte de mim que você devorou.


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